A Assunção de Nossa Senhora é uma das festividades mais antigas na Igreja. Há mais de 1.500 anos, na Igreja Romana e na Ortodoxa Oriental, os fiéis festejam esse glorioso mistério ou privilégio concedido à Santíssima Virgem de ter sido elevada ao céu em corpo e alma, logo após a morte. Essa festividade, celebrada no dia 15 de agosto, lembra como a Mãe de Jesus Cristo, ao completar seus dias na face da terra, foi plenamente agraciada por Deus com uma glorificação imediata da alma e do corpo, o qual foi transportado pelos anjos ao céu.
Ela, que durante a vida terrena desempenhou um papel singular entre as criaturas humanas, com o dia da gloriosa Assunção começou a ocupar um lugar no céu, que a distingue de todos os habitantes celestes. Sempre foi crença pacífica dos fiéis na Igreja que o corpo da Virgem, concebido imaculado, sem a mancha do pecado original, corpo que não conheceu sombra do pecado, corpo que gerou e acalentou o próprio Verbo de Deus ao fazer-se homem, não podia estar sujeito à corrupção, mas devia ser glorificado junto com a alma na glória celeste. Este mistério, objeto de culto há muitos séculos, foi solenemente definido como dogma pela autoridade suprema da Igreja, no dia 1º de novembro de 1950.
Conta-se que Maria, rodeada pelos apóstolos, fazia suas últimas recomendações enquanto adormecia em Deus. Mas entre eles faltava um: Tomé, que pregava em terras distantes. Quando este chegou, a Virgem já havia sido levada para o Vale do Cedron, onde foi sepultada. Ele não se conformou e exigiu que fosse aberto o túmulo de Maria, pois queria ver e beijar, pela última vez, as mãos de sua mãe santíssima. A todos surpreendeu o fato de nada encontrar no sepulcro, apenas um suave perfume de flores e uma melodia celestial. Hoje, em Jerusalém, no Monte Sião, podemos encontrar a Igreja da “Dormição”, que, segundo consta, foi uma área doada para moradia de Nossa Senhora, pelo mesmo dono que emprestou o Cenáculo para a Santa Ceia de Jesus.
Celebrar a Assunção de Nossa Senhora é uma maneira de contemplar nosso destino eterno. Todo título glorioso de Maria, todo privilégio recebido por ela, foi dádiva de Deus em vista de sua sublime missão de ser Mãe de Jesus, Mãe da Igreja, Mãe e Advogada nossa, Medianeira Nossa glorificada, em corpo e alma, junto ao Filho Redentor! Pela glória com que Deus a distinguiu, é honrado todo o gênero humano. Por isso, esse mistério é motivo de grande alegria. A devoção a Nossa Senhora da Assunção chegou ao Panamá com os missionários franciscanos, ordem fundada por São Francisco de Assis com uma base sólida de espiritualidade mariana. Nossa Senhora da Assunção é invocada como Padroeira do Panamá, tendo seu santuário principal na Catedral Metropolitana daquele país.
Também no Brasil a Assunção de Nossa Senhora é celebrada com grande fervor em diversos santuários e incontáveis comunidades. Confiantes na glória eterna reservada para aqueles que neste mundo permanecerem fiéis a Cristo, podemos rezar com a liturgia da Igreja: “Que pela intercessão da Virgem Maria, assunta ao céu, cheguemos também nós à glória da ressurreição”.